Homens Ridículos (Parte III)


Sim, meus caros senhores, este é o terceiro capítulo reservado a Homens Ridículos do meu Brasil. E alguém pode me perguntar por que perder o meu precioso tempo com tais aberrações. A resposta é bem simples, porque estes Joselitos infelizes já fizeram parte de minha vida de alguma forma. E não custa nada tentar mostrar aos homens leitores deste blog (e eu sei que não são poucos) que certas atitudes masculinas são dignas de vergonha, e também pelo fato de algumas mulheres já terem passado pela situação “Mamãe, me dê um revólver” que descreverei a seguir.


É fim de primavera e vocês dois tem se aproximado. Numa bela noite, na calçada de um restaurante ridículo, vocês se beijam pela primeira vez. Daí em diante, vocês passam cerca de um mês "juntos", mas parece que os únicos abraços ministrados pelo cidadão foram naquela primeira noite. O que se procedeu depois disso foi algo como uma dúvida, onde você não sabia se estava ou não comprometida ou se estava brincando de faz de conta.


Passado um tempo, você sozinha decide quinhentas e setenta e duas vezes que não existe nada entre vocês dois, mas o seu telefone insiste em tocar e você é obrigada a visualizar a foto do cidadão na tela do celular sempre que isso acontece, ao som de "Chora e me liga". Nem na madrugada você é poupada, quando o infeliz bebeu tanto e lembrou justamente do seu telefone. Aí você quase chora de ódio ao ter o seu belo sonho da madrugada interrompido pela ligação de Clark Kent e quer mandá-lo o diabo que o carregue. Mas como você tem classe, ou ignora a chamada ou atende com um sorriso na voz (e ódio no coração) e finge que está tudo bem.

No outro dia, porém, ele não se lembra do papel ridículo ao qual se prestou. Mas você sim, porque você foi acordada, porque você teve seu belo sonho interrompido, porque você acha que atirou um chiclete na cruz para merecer esse grude, mas, sobretudo, porque você não sabe o que ele queria dizer ao gritar ao telefone, bêbado, “Meu amor”, porque, como sabemos, a bebida entra e a verdade sai. Mas você prefere acreditar que não é esse o caso.
 

Passados alguns dias, o seu telefone toca novamente e, sim, é ele. Da primeira vez você ignora. Deixa o telefone tocando ali no canto. Não, você não quer falar com Clark Kent. Já na quinta vez que “Chora e me liga” toca ali bem alto, você atende Clark pra saber de uma vez o que o infeliz quer com você. É o que você imaginava. E, como você não tem nada melhor pra fazer, aceita sair com ele.

• UMA BREVE EXPLICAÇÃO •

Clark Kent é aquele mocinho que muitas vezes some sem dar notícias e do nada ressurge em sua vida achando que tudo devia estar como estava antes dele sumir. Afinal, ele é um super-herói e precisa salvar o mundo, sem dar satisfações a você (direitos autorais a L.L.)


Vocês saem e ele age feito um imbecil a maior parte do tempo e, enquanto você tenta desesperadamente descobrir se ele tem 5 ou 6 anos de idade, ele tenta te beliscar e morder o seu braço. E é aí que você descobre que na verdade ele tem 2 anos e você o resgatou do Maternal (detalhe: no Jardim de Infância as crianças são mais espertas).

É uma decepção atrás da outra. Como se não bastasse, ele ainda é convicto de que você está apaixonada por ele e se enche de orgulho por isso. Conta para você sobre conquistas passadas jurando que todas as mulheres ainda são apaixonadas por ele. (Nota: como num futuro próximo você fará parte dessa lista ridícula, você sabe que a parte da paixão é pura coisa da cabeça dele). O olhar dele te diz: “Eu sei que você me ama, confesse!”, como se ele fosse interessante o suficiente para ser digno de qualquer bom sentimento de sua parte.

• UMA BREVE REFLEXÃO •

Como alguém se apaixonaria por alguém que 1 – não sabe o que quer de verdade com você; 2 – Julga todas as mulheres de seu passado como “muito apaixonadas” por ele; 3 – Tem que salvar o mundo inteiro e você é sempre seu último plano; 4 – Quando vocês saem, ele age feito uma criança que nem chegou ao Jardim de Infância ainda; 5 – A melhor coisa que consegue fazer dura apenas 5 minutos (e eu estou me referindo a uma ligação telefônica, para ficar bem claro, ok?) (?)


É uma ousadia demasiada para o meu gosto um homem pensar que uma mulher se apaixonou por ele mesmo ele tendo as atitudes ridículas mencionadas acima.
Eis uma breve conclusão para os futuros relacionamentos românticos dos não-Joselitos do meu Brasil
Na madrugada, quando Clark Kent não estiver ocupado demais salvando o mundo e encher a cara a ponto de te telefonar às 3h, economize a bateria do seu celular, desligando-o; Crianças? Prefira seus sobrinhos, primos, afilhados... E você pode deixar o Homem Invisível acreditar que é lindo, maravilhoso e que conhecê-lo foi a melhor coisa que aconteceu em sua vida nos últimos tempos, afinal, sonhar não faz mal a ninguém.

Para quem não leu:
Homens Ridículos!
Homens Ridículos (Parte II)

choraemeliga!

6 comentários:

  • Aline | sábado, 19 dezembro, 2009

    Seria cómico se não fosse trágico ¬¬

    =*****

  • JIMMY FELIPE | sábado, 19 dezembro, 2009

    Droga, acho que sou um homem ridiculo =/.

  • Édiøn | sábado, 19 dezembro, 2009

    adorei! Muito bom pra que eu aprenda a não ser um joselito!
    =)

  • Édiøn | terça-feira, 22 dezembro, 2009

    Eu acho que passo longee do cara descrito no texto, graças a Deus!
    xD
    Mas é isso ai, muito legal! COnheço homens que talvez se encaixem na descrição! ;)

  • Fred Matos | quinta-feira, 24 dezembro, 2009

    Mone,
    Não obstante a minha implicância com o uso comercial do "espírito natalino", não tenho como escapar da influência que a data exerce sobre o meu emocional que ainda teima em crer que a humanidade não é caso perdido e que podemos construir um mundo mais justo, sem violências e sem preconceitos. Em suma: sou um ingênuo assumido.
    Sendo assim, é inevitável que venha para deixar os meus votos sinceros de que você tenha um feliz natal e que o ano novo não seja apenas uma nova página no calendário, mais um marco de mudança que inaugure uma nova era de paz e felicidades para todos e que possamos realizar todos os nossos melhores sonhos e projetos.
    Felicidades.
    Beijos